Eu, tu, nós e eles no Storytelling e os Big Five

Pelas 11h:45m da manhã de hoje (hora em que comecei a escrever este post) já tinham sido publicados cerca de 302750000 tweets, desde as 00h:00m. E pela altura em que publicar este artigo este número já terá mais que quadruplicado.

Há uma necessidade crescente de as pessoas se ligarem instantaneamente, de interagirem em tempo real, de se expressarem, de debaterem, de mostrarem ao mundo que estão presentes e que fazem parte de uma rede extensa de vozes que querem ser ouvidas.

As plataformas online (falando mais propriamente dos Big Five) são utilizadas por pessoas e organizações para criar interação, para partilhar ideias e opiniões, partilhar tendências. Estas plataformas possuem um grupo de funcionalidades como o hashtag que permite categorizar assuntos por etiquetas e permite monitorizar quais os assuntos do momento, quais as tendências culturais que estão na agenda da sociedade. Estas plataformas permitem a interação com os públicos em tempo real. É assim que se cria a arte do live storytelling.

Este live storytelling consiste na arte de construir uma narrativa organizacional através da interação com os públicos nos assuntos do momento, em tempo real. Aqui, a estratégia de ação é planeada no momento e é baseada nas pistas que são deixadas pelos públicos. O storytelling do momento requer uma grande capacidade de reação instantânea pela equipa responsável da comunicação.

É, portanto, um modo de narração aberto da historia de uma organização, que muda e que se transforma consoante as tendências culturais do momento, as reações e opiniões do público. Tanto o público como a organização têm o mesmo peso na construção desta narrativa: como já temos abordado noutros posts, a organização não sobrevive sem a cooperação dos seus públicos. Os públicos querem fazer parte das narrativas.

Para além de se construir uma narrativa da organização, esta interação em tempo real com os públicos, participando em tendências do momento, permite à organização construir relações mais intimas com os seus públicos, permite perceber as tendências culturais que surgem e permite o registo e analise do feedback recebido. Esta interação momentânea oferece a oportunidade de otimizar a ação da organização consoante as reações dos públicos.

As marcas e organizações que operam em tempo real estão a planear e o futuro e a traçar o caminho para lá chegar. Estão um passo mais a frente.

Analisemos a campanha da Axe que decorreu no Twitter para a Super Bowl 2014: a campanha #KissForPeace consistia em recolher fotos que os públicos postavam beijando alguém, com o hashtag #KissForPeace. As fotos com o hashtag eram analisadas e selecionadas e num curto espaço de tempo eram exibidas num billboard na praça de Times Square, em Nova York. As fotos que apareciam no billboard eram fotografadas e eram depois postadas de novo no Twitter através da funcionalidade tweet-back para que os públicos pudessem ver as suas fotos exibidas na icónica praça de Times Square. A iniciativa proporcionou uma taxa de 70% de retweets e foi uma das campanhas que mais gerou interação no Twitter. Esta campanha foi um êxito uma vez que a Axe foi capaz de interagir com os públicos, criando um grande movimento na plataforma em que milhares aderiram à iniciativa. A axe aproveitou um momento com importância cultural relevante (o evento da Super Bowl) para apelar à paz (um hot topic do momento).

Os social media permitem esta interação que cria comunidades. E como todos sabemos, numa comunidade, todos temos que contribuir com algo. A ação não é dirigida pela organização, mas sim por um público extenso que quer ser ouvido e que quer participar no calor do momento.

O presente e o futuro do storytelling está dependente de nós e da forma como criamos, reagimos e partilhamos. Hoje em dia, o publico detém um poder de influência capaz de moldar o rumo de uma marca ou organização.

A necessidade primitiva mantem-se: a interação do momento, a comunicação, o sentimento de ligação e aproximação com algo ou alguém com quem nos identificamos. Cada um de nós desempenha um papel na construção da narrativa que vai guardar registos desta era digital que irá marcar para sempre a historia da humanidade.

O storytelling sou eu, és tu, somos nós e são eles.

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