Investigação: A diferença entre casos de sucesso e insucesso

Pelo que me recordo das aulas de História do 12º ano, Hitler tentou invadir a Rússia durante a 2ª Guerra Mundial. E  a proeza não correu muito bem. A minha professora contava que Hitler não previa que as condições climatéricas da Rússia fossem afetar  a estratégia do Fuhrer para se apoderar da Rússia. Basicamente, as tropas nazis ficaram-se pelo caminho por causa do frio extremo. Podemos afirmar que a estratégia de Hitler não era sustentável, porque o senhor não se deu ao trabalho de ter em conta todos os fatores que poderiam afetar o seu plano. Citando a minha professora de História: “Era um plano assente em pés de barro.”

Esta é a importância da pesquisa e da investigação: a diferença entre casos de sucesso e insucesso que ficam marcados na historia. Mas o que é a investigação?

No contexto das Relações Públicas, a investigação, é o processo sistemático de recolha de informação com o propósito de descrever e compreender situações e validar factos sobre a organização e a sua envolvente.

Para levar a cabo uma investigação deve-se monitorizar constantemente  o ambiente em que se insere a organização. Deve-se estar atento aos fatores externos e internos que podem comprometer, limitar, afetar ou influenciar a atividade da organização. Fatores estes, como por exemplo, fatores políticos, económicos e legais, a concorrência e as tendências sociais. Os stakeolders devem também ser um ponto recorrente na investigação: quais os meus stakeholders? Que relações mantenho com eles? Que acontecimentos estão ou poderão afetar a sua atitude e o seu comportamento perante a organização?

Todos os dados e informações relevantes recolhidos durante o processo de investigação são depois compilados em cadernos de investigação que facilitam a analise das informações. Estes meninos têm sido os nossos estimados amigo e companheiros no curso. E serão SEMPRE.

O profissional de RP dispõe de um conjunto de instrumentos que permitem recolher dados, analisá-los, processa-los e interpretá-los. Entre estes existem a analise PEST, a analise SWOT, as forças de Porter, questionários, entrevistas e outras ferramentas online que permitem a monitorização dos ambiente digitais.

Mas porque é que a investigação é tão importante para a organização?

Bem, durante a investigação, o profissional tem acesso a informações que o permitem compreender a realidade que rodeia a organização. Com isto, o profissional terá uma base sólida, construída a partir de fatos e informações reais, na qual assentará todo o resto do processo, quer ele seja a elaboração de um plano de comunicação, quer seja definição de estratégias ou apenas a monitorização da envolvente exterior.O objetivo da investigação é conduzir um programa ou plano de Relações Públicas eficazmente.

Construir uma estratégia de comunicação apoiada numa base de informação falaciosa dá sempre maus resultados (Sim, Adolf Hitler. Aprende-se com os erros). A analise acaba por ser incompleta, não sendo fiel à realidade que envolve a organização. Isto pode fazer com que, durante o processo haja buracos ou incompatibilidades de informação que comprometem toda a sustentabilidade do plano. Em casos graves, a falta de investigação pode causar problemas desastrosos e irreversíveis Sem investigação, os profissionais estão limitados a formar soluções com base naquilo que pensam ser verdade.

Vejamos o caso da campanha Love Food, Hate Waste”, elaborada pela Trimedia para o Waste and Resouces Action Programme (WRAP)

Através de investigação, a WRAP consegui determinar que 6.7 milhões de toneladas de desperdício de alimentos eram gerados na Grã-Bretanha todos os anos e que estes números subiriam no futuro se nada fosse feito. O objetivo da WRAP era trabalhar com clientes, directores de marcas alimentares e grandes superfícies de vendas para consciencializar o público sobre este problema e para reduzir o desperdício alimentar nas casas da população. A WRAP desenvolveu assim a campanha Love Food, Hate Waste, a primeira campanha alguma vez feita relacionada com este problema.

E por ser uma campanha pioneira, a organização não sabia como o público iria reagir e se iria haver grupos de oposição ao programa. A organização levou então a cabo uma investigação profunda e detalhada para compreender a relação do público com a comida e os seus comportamentos. A investigação foi um passo critico para a criação de uma campanha apelativa, com o conteúdo e tom certos que iriam despertar o interesse do público. Deixo aqui o plano detalhado da Love Food, Hate Waste com informações sobre a investigação conduzida e a campanha: http://www.wrap.org.uk/sites/files/wrap/Love%20Food%20Hate%20Waste%20Retailer%20Introduction.pdf

Com uma investigação complexa, a WRAP conseguiu desenvolver e executar um plano de sucesso, que, para além de atingir os resultados pretendidos, aumentou a notoriedade da organização e aproximou-a dos seus públicos.

Mas infelizmente, ainda há muitas organizações que oferecem um orçamento muito reduzido para a realização de investigação. E mais preocupante ainda, há profissionais de comunicação que negligenciam por completo esta etapa e não compreendem que a investigação faz a diferença entre casos de sucesso e de completos falhanços, que, muitas vezes, afetam a reputação da organização irreversivelmente.

É necessário educar todos os profissionais e futuros profissionais de Relações Públicas para que compreendam que a investigação é o melhor recurso para evitar casos e situações desastrosas.

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