O Pai Natal existe? Uma Perspetiva sobre Valores

Tenho já vindo a referir nos meus posts a importância dos valores pelos quais as organizações regem as suas ações, os valores que estas transmitem aos stakeholders e adicionam à sociedade. Devido à crescente importância deste assunto na vida quotidiana das sociedades, hoje quero colocar este tema em perspetiva e olhá-lo de forma mais extensiva aqui no blog.

Este assunto, para além de interessar à área das Relações Públicas, é um assunto que deve ser refletido por todas as áreas académicas cujo objeto de estudo passe pelas organizações, e por todos os cidadãos do mundo, independentemente da sua área de interesse e atuação.

As organizações, hoje em dia, dominam quase todas as facetas da sociedade e da vida moderna, (Jose, 2016) e por isso, cada vez mais as suas ações e o seu papel na sociedade são estudados e avaliados minuciosamente.

A importância do impacto das ações das organizações advém, primeiro, pela complexidade da relação que as  organizações desenvolveram, nas ultimas décadas, com os sistemas económicos, sociais, culturais, e políticos, o que resulta num grande poder de influência das grandes organizações em todos os aspetos da sociedade; segundo, pela crescente preocupação que se tem observado por parte da sociedade em relação ao meio ambiente e ao desenvolvimento social; terceiro, pelas mudanças que se verificam nas normas e valores pelos quais se guiam as comunidades e os cidadãos do mundo, que enaltecem a transparência das ações das grandes organizações (Jose, 2016).

Tudo isto é ainda suportado pelo fenómeno da Globalização, que permitiu a estender a influencia das organizações aos quatro cantos do mundo.

Todos estes fatores fazem das organizações um dos mais importantes agentes da sociedade e por isso, cada vez mais estas tem sido objeto de estudo por parte dos mais variados campos académicos, que se ocupam de compreender os seus impactos a nível politico, económico, ambiental, social, e cultural na qualidade de vida das sociedades.

Devido ao reconhecimento da extensão da influência das organizações na sociedade, surge também o reconhecimento do potencial das organizações em intervir nos desafios que a sociedade moderna enfrenta, tais como a pobreza, as alterações climatéricas, a poluição, o desrespeito pelos direitos humanos, entre outros (Jose, 2016). Além do potencial de intervenção nestes assuntos, é reconhecido às organizações o potencial de promoção de valores, como por exemplo, a promoção dos valores democráticos.

Somando todos estes fatores, é esperado que as organizações adicionem valor à sociedade.

Clarificando esta afirmação tão ampla e abstrata, é esperado que através da sua existência e das suas ações, as organizações contribuam com algo positivo para uma variedade de públicos: para os clientes/consumidores, fornecedores, diretores e acionistas, colaboradores, investidores, para a comunidade onde se integra a organização: escolas, cidadãos, entidades publicas e privadas e para o meio ambiente.

Existem várias formas de contribuir valorativamente para a comunidade e para os stakeholders como por exemplo: Programas de responsabilidade social, que incluem ações de intervenção social, ambiental, escolar e cultural, que têm como objetivo adicionar valor à comunidade onde se integra a organização. Estes programas são compostos por ações que visam consciencializar os públicos sobre um problema ambiental ou social e intervir na sua resolução; Programas de ações internas, que visam contribuir para o desenvolvimento dos colaboradores, como por exemplo formação; Comunicação nos Social Media, que adiciona valor aos clientes/consumidores pelo facto de esta poder proporcionar serviço de atendimento ao cliente e de ajudar a na construção de relações mais próximas, entre outras ações.

Até a simples existência da organização adiciona valor a um conjunto de stakeholders: postos de trabalho para os colaboradores e investimento regional para a comunidade.

Como podemos ver, tudo o que a organização empreende produz um impacto valorativo na vida de um conjunto de pessoas. A dimensão da organização esta diretamente relacionada com a dimensão do impacto e com o número de pessoas que irão ser alvo do impacto. Imaginemos uma grande multinacional: a Nestlé. De certo que as ações desta organização terão um maior impacto valorativo na vida das pessoas comparativamente ao impacto valorativo das ações do pequeno café do fundo da rua.   Igualmente, o número de pessoas afetadas pelo impacto valorativo das ações da Nestlé será muito mais significativo do que o número de pessoas afetadas pelo impacto valorativo das ações do tal café.

Por outro lado, o setor de atuação das organizações pode influenciar a natureza do impacto valorativo na comunidade. Tomemos como exemplo uma empresa que atua no setor petroleiro. Estas organizações têm um impacto negativo nas comunidades locais e até na sociedade mundial (dependendo da dimensão da organização), no que toca ao meio ambiente e à saúde pública. É por isto, que estas organizações recorrem a programas de responsabilidade social: é a única forma de acrescentarem valor à comunidade, visto que as suas ações têm um impacto ambiental negativo. E como já referi, sem adicionar valor aos stakeholders (ou equipara-lo às consequências negativas), a organização não subsiste.

Com isto, é fácil compreender que existe uma relação direta entre o valor que as organizações proporcionam à sociedade e a notoriedade e credibilidade da mesma. Organizações que oferecem mais valor aos seus stakeholders têm uma melhor reputação e são mais confiadas.

Mas retomando à questão que deu mote ao post: O Pai Natal existe?

No mundo da comunicação organizacional, sim, existe.

As organizações representam, transmitem e adicionam valores à sociedade, tal como a figura do Pai Natal que representa, transmite e adiciona valores à sociedade.

Quando pensamos no Pai Natal e em toda historia por detrás da figura, pensamos nos valores que lhe está acoplada: a solidariedade, a família, a amizade, a bondade, a alegria, o amor. E de certa forma, são estes valores que se quer transmitir e implementar na sociedade através da figura e da época que lhe corresponde (o Natal). O ser humano necessita de criar entidades fortes que contribuam valorativamente para a vida quotidiana em sociedade. E é esse um dos papeis das organizações: contribuir valorativamente, tanto em termos económicos como em termos sociais e morais, para a melhoria da condição e qualidade de vida dos stakeholders e da sociedade.

Todos nós já vimos os anúncios da coca cola da época natalícia, em que aparece associada ao pai natal. À primeira vista pensamos que foi uma boa estratégia de para aumentar as vendas. Mas é mais do que isso: a coca cola associou-se à figura do pai natal e à época porque se identifica com os seus valores. São esses valores que a marca pretende transmitir e adicionar à sociedade.

Deixo aqui o vídeo de um dos anúncios televisivos da Coca Cola.

O valor motiva, sustenta e produz impacto. (Austin, 2010)

 

Referências Bibliográficas:
JOSE (2016) Business and society: Creating shared value: In conversation with N. R. Narayana Murthy, Founder, Infosys. IIMB Managment Review. No. 28, pp 43-51
AUSTIN, James (2010). Journal of Business Ethics. No.94 pp 13–15.
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