Millennial Generation: Understanding the New Publics

Não é novidade quando digo que o mundo mudou.

Mas esta transformação que vemos decorrer debaixo do nosso olhar, por vezes letárgico, é uma das transformações que mais rapidamente se desencadeou. O grande catalisador?

A Nova Tecnologia.

Tudo mudou: a forma de comunicar, o acesso à informação e ao conhecimento, as relações, as preocupações, as necessidades, a cultura, a forma de pensar o ser humano.

No seu livro “Thumbelina”, Michel Serres coloca uma questão fulcral no pensamento destas transformações que têm repercussões na nova geração.

Entendemos realmente quem é esta geração?

Serres defende uma ideia essencial no pensamento das Relações Públicas: Antes de empreender qualquer ação com os nossos públicos devemos conhece-los e compreende-los para que a organização se adeque às suas exigências e às suas necessidades.

A NOVA GERAÇÃO

A geração que hoje domina em quantidade o nosso mundo não tem a mesma relação com o mundo que a geração anterior tinha.

A tecnologia desempenha um papel central na vida destes novos públicos. Vivem dependentes dos computadores e smartphones. Vivem na era da informação, onde esta é acessível a qualquer altura e em qualquer local, a partir das novas tecnologias. Carregam o conhecimento no bolso.

A forma de comunicar alterou-se profundamente. O mundo tornou-se mais pequeno e mais próximo e facilmente comunicamos com alguém do outro lado do globo.

Devido à exposição a estas novas tecnologias estes públicos são fortemente influenciados pelos media. Esta influencia traduz-se na quantidade de informação a que são expostos constantemente, o que resulta na diminuição do spam de atenção destes indivíduos e na mudança das suas capacidades cognitivas de processamento, compreensão e sintetização de informação.

Num mundo onde se é tão fácil comunicar, o público tornou-se mais distante e difícil de alcançar.  

IMPLICAÇÕES

Perante tais transformações, os modelos institucionais e organizacionais do tempo que esta geração não reconhece persistem. É exatamente aqui, na retrogradação dos modelos, que reside o problema.

É imperativa a adaptação das organizações a um publico que pensa de forma diferente, que tem necessidades e exigências diferentes. Esta adaptação passa pela forma de comunicar, pela forma de empreender ações, pela forma de funcionamento dos sistemas dentro das organizações, pelos valores defendidos e pelas estratégias tomadas.

OFERTA E PROCURA

Até agora, as grandes instituições e organizações limitavam-se a dar resposta a uma procura (imposta) dos públicos. Pouco interessava o que a voz da procura dizia.

Mas claramente uma nova procura emerge, uma nova procura cuja voz se faz ouvir. Perante tais transformações individuais e sociais é impossível fazer ouvidos moucos à voz dos públicos. Se tal atitude persiste, as organizações tornam-se obsoletas e emerge um comportamento disruptivo dos públicos que contestam.

Perante a presunção de detenção de conhecimento e acesso à informação, a nova geração já não se deixa conduzir e assume uma postura ativa no traçar do caminho das organizações. Isto reflete uma vontade participativa dos públicos e uma exigência em estabelecer as regras pelas quais as organizações se regem.

“A oferta já não influencia a procura – a procura influencia a oferta”

Mas como podem as organizações conhecer os seus novos públicos de forma total?

O processo de conhecimento e compreensão da nova geração passa por ouvir o que esta tem para dizer, por seguir o seu movimento, por perceber o que procuram e passa por aprender a explicar o futuro que as novas tecnologias implicam. Assim, seremos capazes de entender as necessidades desta geração e ajustar os modelos organizacionais e as decisões estratégicas, de forma a que a comunicação seja empreendida eficazmente.

INOVAÇÃO

Serres acredita que a confusão e a desordem são os grandes catalisadores da invenção, da descoberta e do novo conhecimento. A ordem levada ao extremo pode esterilizar a descoberta. Este é o jogo que as organizações devem aprender a jogar, uma vez que o publico desta nova geração procura o entusiamo, a novidade e a inovação.

 “O único ato intelectual autentico é a Invenção”

A ERA DAS RELAÇÕES RECÍPROCAS

Numa sociedade onde todos têm algo a dizer, as organizações e instituições são constantemente avaliadas pelos seus públicos. A noção de hierarquia vai-se desvanecendo e por isso é imperativo estabelecer relações simétricas e recíprocas, baseadas no feedback.

O colaborador já não se sente subjugado à organização. Aliás, este tomou um papel central na organização. Ouvir o que este tem para dizer é importante para ajudar a organização a ultrapassar problemas, encontrar soluções, implementar novas ideias e aumentar a sua produtividade.

A organização que vê os seus públicos (colaboradores, clientes, consumidores, parceiros, etc.) como incompetentes ou subjugados está condenada à extinção. A nova geração não perdoa.

Esta geração têm um novo quadro de valores pelos quais regem a sua vida. Uma das principais preocupações desta geração, segundo o autor, é desempenhar o seu papel no trabalho de forma a perseguir o beneficio coletivo, a felicidade do ser humano e o bem-estar do planeta. As exigências para a adoção de politicas de responsabilidade social e de diplomacia pública devem ser urgentemente ouvidas pelas organizações e implementadas no seu eixo estratégico pois estas têm a responsabilidade de, não só, proporcionar um ambiente favorável ao desenvolvimento económico, mas também ao desenvolvimento social e humano.

“Enquanto não ouvirmos as vozes dos desesperados, dos tumultos, nunca iremos perceber o que realmente é a humanidade”

O PODER DA VOZ HUMANA

A voz humana alcança, devido às novas tecnologias, grandes proporções quantitativas e transcende territórios, o que até à data não teria sido exequível.

Estas redes compostas por milhares de vozes que se exprimem online e que crescem a cada dia darão origem a uma nova forma de democracia onde todos comunicam e todas as opiniões valem. A capacidade de agrupamento desta geração reflete-se também nas organizações, que facilmente são derrubadas pela união de vozes que se expressa no mundo online.

As instituições e organizações que não se conseguem adaptar a estas novas exigências estão condenadas à extinção. Não têm capacidade de reconhecer esta nova emergência e por isso falam mais alto. Isto ilustra-se num exemplo que marca a agenda de assuntos atuais: o protesto dos taxistas. Este protesto advém, em parte, das consequências da incapacidade dos taxistas de adaptação à mudança e às novas exigências feitas pela nova geração. E por isso esta organização vê-se em decadência.

O INDIVIDUO

A geração millennial caracteriza-se por exigir o reconhecimento da sua existência, da sua individualidade. Isto requer uma especial atenção por parte das Relações Públicas que não podem assumir que os seus públicos fazem parte de massas descaracterizadas.

Serres defende que se torna necessário entender o processo pelo qual esta geração interage com as novas tecnologias para compreender as motivações e as intenções deste público. Este processo de interação, a que Serres denomina de algoritmo é uma das principais fontes de informação que permite compreender o código individual que carrega os valores, as necessidades, os hábitos, as exigências e o pensamento desta geração.

É este código que deve rege a relação estabelecida entre o individuo e a organização e que vai influenciar as decisões da organização.

A SOCIEDADE ATUAL

 Já vimos que esta geração têm uma capacidade de agrupamento (exequível através das novas tecnologias) capaz de influenciar e mudar estruturas que até hoje permaneceram obsoletas.

Olhar para o público como uma entidade decisora e estabelecer relações baseadas no modelo two way simmetrical communication tornou-se vital para a compreensão desta geração millennial. Vivemos numa sociedade aberta e isso deve refletir-se nas nossas organizações e instituições.

O conhecimento e compreensão do novo público que emerge destas transformações e a compreensão dos seus valores, exigências e necessidades são pontos decisivos que devem integrar o eixo estratégico das organizações para que estas sejam capazes de, em conjunto com a nova geração, construir uma sociedade baseada na compreensão e no bem-estar coletivo.

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