Lets talk about our Economic System

“Se a empresa quer reencontrar a sua dimensão cidadã, ela deve desenvolver nela própria uma cultura politica no sentido pleno do termo. Deve inserir a sua ação na vida da cidade participar nos debates sobre o bem comum e sobre as orientações para o futuro – (Philippe de Woot, 2014)

O Capitalismo. A Economia de mercados, um modelo neoliberal.

Já tivemos o privilegio de assistir aos seus grandes feitos e beneficiar dos seus frutos. É um modelo que proporcionou um grande progresso económico e que gerou uma riqueza que nunca antes se viu. O modelo de mercado livre incentiva a competitividade que por sua vez, incentiva a criatividade e a inovação. Esta dinâmica competitiva permitiu que as empresas se conseguissem adaptar rapidamente às transformações que advieram do fenómeno da globalização.

O que é preocupante é que as restantes dimensões da sociedade, como a dimensão politica e a dimensão ética, não têm conseguido acompanhar o rápido desenvolvimento da globalização. E por isso, a dimensão económica tomou controlo de muitos aspetos da vida que deveriam ser coordenados pelas outras dimensões.

Este problema reflete-se, por exemplo, na supremacia da dimensão financeira. O mercado dos bens intangíveis, regulado apenas pela especulação, tornou-se um dos mercados mais lucrativos. A perceção da proporção de lucro que advinha desta atividade levou a que os agentes do mercado adotassem um comportamento motivado pela ganancia que gera um conjunto de problemas complexos que não nos são desconhecidos: esquemas de corrupção, lavagem e branqueamento de dinheiro, condições precárias de trabalho, exploração, fugas aos impostos, etc.

Esta lógica instrumental de atingir um fim sem olhar a meios revela uma completa despreocupação com o bem comum, com a responsabilidade social que estes mercados acarretam intrinsecamente.

O mercado económico está marcado por um vazio ético que assombra o desenvolvimento sustentável e o progresso social. A fraca regulamentação deste mercado e a incapacidade governativa de imposição de limites, causam uma desconfiança e desacreditação por parte dos cidadãos, que abandonam a participação politica. Estes que assistem a uma deterioração da sua qualidade de vida e que assistem a um agravamento do foço entre os pobres e os ricos.

O desequilíbrio na distribuição de riqueza contribui também para o aumento significativo de pessoas que se encontram numa situação de precaridade social, em condições de pobreza extrema e que não têm acesso às condições mais básicas de vida.

Esta lógica instrumental que rege a atividade deste mercado afeta não só a dimensão social como também a dimensão ambiental: aumentar a lucratividade e a produção é único objetivo de muitos shareholders, que não olham às consequências dos seus atuais processos e métodos de atividade.

Estes problemas a que assistimos hoje foram (e são) provocados pelo vazio ético e politico em que operam, pela falta de uma regulamentação forte global que oriente o mercado e pela dissociação da dimensão económica, da politica e ética.

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Philippe de Woot, no seu livro “Rethinking the Enterprise” aborda uma serie de soluções que visam dar resposta aos defeitos do sistema económico.

Está na hora de erradicar o progresso e o desenvolvimento apoiado em pés de barro. Já se pôde ver que o modelo neoliberal puxado ao limite tem repercussões desastrosas em todas as outras dimensões da vida. O modelo que subsiste tem um grande potêncial, mas deve imperativamente ser reformulado e adotar princípios de desenvolvimento sustentável, de inovação social, do alcance do bem comum e da reinserção de uma cultura organizacional ética. E para isso o papel das empresas, o seu raison d’être, deve ser repensado.

Purpose of enterprises: “the creation of economic and social progress in a sustainable and globally responsible manner.”

Esta reformulação só será possível com a reunião de esforços do maior número de agentes possível das diferentes dimensões da vida humana.

As empresas ocupam uma posição central no desenvolvimento económico: são as responsáveis por transformar os recursos cientifico-tecnológicos em conhecimento e criatividade. É necessário orientar a criatividade tecnológica e cientifica para outros propósitos que não sejam apenas a obtenção máxima de lucros. É por aqui que começa a transformação.

Os grandes empreendedores devem perceber que as empresas são um fator importante de desenvolvimento humano e que por isso possuem deveres e obrigações cívicas, tal como um cidadão. Estas têm a responsabilidade de assegurar uma sociedade equilibrada, justa e propicia ao desenvolvimento.

A criatividade das empresas deve estar ao serviço do bem comum, e auxiliar a construção de uma estratégia de desenvolvimento sustentável, cuja noção deve ser globalizada para que surta os efeitos desejados.

“Sustainable development is development that meets the needs of the presente without compromising the ability of future generations to meet their own needs.”

A cultura organizacional é um conjunto de sistemas simbólicos usados para produzir interação social, é algo intrínseco e contém os valores que a organização defende e pelos quais guia o seu percurso. A cultura atua como o seu “soft power”. Tendo isto em consideração a mudança será sustentável.

A mudança parte dos empreendedores, dos lideres que devem incentivar o diálogo e a participação dos colaboradores no desenvolvimento de novas ideias e estratégias. O empreendedor que vê nos seus colaboradores a possibilidade de transformação e que os motiva e inspira é aquele que é designado de líder. Só estes conseguem, de facto, inspirar a mudança. E é exatamente no nível interno que a mudança deve começar para se projetar exteriormente.

As empresas devem motivar e incentivar o dialogo e a participação não só internamente como também externamente, com as comunidades e os diversos stakeholders. Isto permitirá às empresas perceber quais as áreas que precisam de maior atenção e intervenção na comunidade. As empresas devem desenvolver, em conjunto com as comunidades, estratégias que visam o melhoramento e o progresso social e desenvolver condutas éticas, ouvindo o que as comunidades têm para dizer, e percebendo as suas necessidades e expectativas.

As empresas têm adotado um conjunto de programas que envolvem a noção de responsabilidade social. A responsabilidade social visa responder a defeitos do sistema, que resultam, por exemplo, em problemas ambientais, pobreza e desigualdade. Contudo, estas práticas são por vezes motivadas por mero interesse em passar uma identidade que agrade aos públicos e não por um verdadeiro interesse em trabalhar para o bem comum. Mais uma vez, fala-se numa questão de conduta ética que deve ser trabalhada e implementada pelos grandes lideres no seio das organizações.

Resumindo, a solução começa por restaurar a dimensão politica e ética à ação económica.

Na dimensão politica é necessária uma abordagem que contemple os princípios da participação, colaboração e diálogo, e é necessária a existência de uma regulamentação do mercado, de princípios globais que sustentem a noção de desenvolvimento sustentável e inovação social.

Na dimensão ética é necessário contemplar a questão da implementação de uma conduta ética e de um quadro de valores que defendam o progresso social e o bem comum.

“Defining the purpose, the raison d’être, of enterprise, means agreeing to place its operation in the broader context of ethics and the common good, without wich it has no political or moral legitimacy.”

 

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